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Testamos as pilhas recarregáveis


Você comprando sua nova câmera digital e o vendedor diz que precisa de um jogo de pilhas recarregáveis. Você se lembra que com a digital antiga, o consumo de pilhas alcalinas era realmente muito alto. Nesse momento você decide adquirir um jogo dessas pilhas recarregáveis, que o vendedor oferece. Mas será que elas são realmente melhores que as alcalinas, além da questão da recarga?

Vamos tentar responder essa pergunta, num teste exclusivo do Manual Digital, em parceria com a empresa Harder Informática, que comercializa esses produtos e nos forneceu um jogo completo de pilhas (4 pilhas AA Sony Ni-MH de 2.100 mAh) e seu recarregador original.

Para testarmos essas pilhas recarregáveis, utilizamos o mesmo processo de análise padronizado que desenvolvemos para as pilhas alcalinas. Assim, tomamos como base o mesmo flash fotográfico e o mesmo princípio de uso.


Padronização

Para este teste ser válido com o anterior, realizamos na mesma padronização do uso. Dessa forma, utilizamos o “disparador automático”, que a cada 30 segundos dispara uma vez o flash, um antigo Mirage 118 M, que é alimentado por duas pilhas AA recarregáveis. Assim temos uma freqüência regular de disparos e um tempo extra de descanso após cada recarga, pois o flash é carregado em menos de 8 segundos com pilhas com carga total.

Esse tempo de descanso é importante para evitar um superaquecimento das pilhas e para reproduzir um uso normal. Alguns testes que já foram realizados optaram por ligar uma lâmpada ou motor e ver até quando eles permanecem funcionando. Entretanto esse tipo de teste não reproduz uma forma normal de uso, pois no caso dos flashs, ninguém espera mais que algumas dezenas de segundos para a carga ficar cheia. Assim que o tempo começa ficar excessivamente longo, as pilhas são trocadas ou recarregadas.

Em nosso teste, medidos a potência da luz do flash a cada 30 segundos, pois o equipamento dispara a luz mesmo não estando com sua carga plena. Essa situação é comum na fotografia quando fotografamos com flash, pois em algumas câmeras ele dispara mesmo não estando com a carga total, ocasionando uma diminuição da iluminação geral da cena, resultando em imagens mais escuras, caso a câmera não compense essa deficiência.

Dessa forma, conseguimos identificar como as pilhas recarregáveis fornecem energia aos componentes do flash, qual é potência produzida no disparo e quanto tempo demora a recarregar novamente os capacitores do flash.


Equipamentos do teste

O flash que utilizamos é um antigo flash eletrônico Mirage, modelo 118 M, também utilizado no teste das pilhas alcalinas e ainda em excelente estado de conservação. Como esse equipamento não tem visor nem outros tipos de componentes que poderiam consumir carga das pilhas, foi o modelo ideal para nosso teste. Para medir a intensidade do flash, utilizamos um fotômetro da Minolta, o tradicional Flashmeter IV. Como esse fotômetro mede a quantidade de disparos, certificamos que nosso “disparador automático” funcionava perfeitamente. Além do mais, ele é um fotômetro muito preciso, que mede décimos de ponto F, permitindo que qualquer flutuação na intensidade de luz fosse registrada.


Nosso “disparador automático” é composto por um relógio eletrônico, que foi adaptado para seu ponteiro de segundos fechar os contatos elétricos do flash a cada 30 segundos. Utilizamos um termômetro de máximas e mínimas temperaturas para certificarmos que não haveria mudanças drásticas na temperatura ambiente do local do teste. Temperaturas diferentes alteram o comportamento das pilhas.


Preparação dos testes

A parceira no teste, a empresa Harder Informática, nos forneceu um jogo completo pilhas recarregáveis e seu recarregador. As pilhas da Sony tinham uma potência de 2.100 mAh, ou 2Ah. Só como comparação, uma bateria de um automóvel tem capacidade de 40 a 60 Ah.

As pilhas foram recarregadas conforme indicava o manual do recarregador, ou seja, foram mais de 7 horas diretas no processo de carga. O LED do recarregador não tem função de indicação de carga, é apenas um “relógio burro” que se apaga após o aparelho ser conectado por várias horas na tomada.

Para garantir uma padronização do teste, repetimos o experimento em cada jogo de 2 pilhas, e duas vezes. Antes de iniciar o teste, efetuamos duas seqüências de disparos, para garantir que todos contatos elétricos funcionavam.

 

Os resultados

O gráfico abaixo sintetiza os dados que apuramos em nosso primeiro teste e com os novos dados das pilhas recarregáveis. O eixo vertical representa a luz medida pelo fotômetro, sendo que 100% representa o máximo de luz emitido pelo flash no teste para as pilhas alcalinas. No caso das recarregáveis conseguimos uma potência maior, mais de 10% acima do máximo das alcalinas.


Comparativo entre as pilhas alcalinas e recarregáveis Ni-MH

Um detalhe que nos passou despercebido e que ficou aparente no gráfico é que as pilhas não têm um rendimento perfeito nas primeiras recargas. Lendo alguns materiais técnicos, conseguimos a informação que as baterias de Ni-MH devem ser carregadas e descarregadas completamente nas primeiras utilizações, para elas atingirem seu máximo de potencial de uso daí em diante.

Mas de maneira geral ficou evidente que as pilhas recarregáveis de Níquel Metal Hidreto (Ni-MH) são mais potentes que as alcalinas e enquanto as alcalinas já perderam de 10 a 20% de sua capacidade de carga no 2/3 de sua vida útil, as Ni-MH ainda mantinham praticamente 100% da carga. Apenas perto dos 300 disparos, ou seja, quando as alcalinas já tinham se esgotado, elas começavam a perder a força. Entretanto, diferentemente das alcalinas, as Ni-MH tem uma queda abrupta de energia, ou seja, de certo ponto em diante não há mais carga, não adianta ficar esperando “carregar o flash” que não há de onde tirar energia nas baterias...


Conclusão

Nas câmeras digitais mais atuais, onde os grandes visores LCD e processadores de alto desempenho são devoradores de energia, não dá mais para ficar utilizando pilhas alcalinas. O uso de pilhas recarregáveis de Níquel (Ni-MH) é além de recomendado, seu uso é necessário.

O teste comprova que as pilhas recarregáveis são mais potentes e duram 10 a 20% a mais, além, claro, de serem reutilizáveis muitas vezes. É importante salientar que nos primeiros usos as pilhas não têm um rendimento perfeito.

Quantas vezes podemos recarregar e qual é a diferença entre as potências (mAh) são perguntas que responderemos em novos testes que já estão sendo realizados. Aguarde!


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7/9/2010
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